01 setembro, 2014

De como eu zerei a vida na Bienal do Livro 2.014


A última vez que havia ido nesse evento, ele ainda era realizado no Parque do Ibirapuera (faz tempo, em meados de 1.990), então estava mega ansiosa. Não tinha interesse em compras ou agarrar todos os marca páginas que encontrasse pela frente. Meu objetivo principal era conhecer novos escritores, novos livros, editoras e reencontrar os que já conheço, em 1 palavra: TIETAR.

Com a listinha em uma na mão e a mala na outra, a "caça" começou. Consegui concentrar tudo que eu queria fazer em 2 dias: 29 e 30 de agosto.

29 - sexta-feira: a maior concentração de público era de excursões escolares, então ouviam-se apitos, gritos, profe, fessora, tio, filas, mãozinhas dadas e por aí vai. Mas essa turma começou a ir embora por volta das 4 da tarde, e quem ficou depois desse horário pode aproveitar bastante.

Nesse dia meu objetivo principal era conhecer o Maurício de Sousa. Sonho de infância. Aprendi a ler com os gibis da Turma da Mônica, uma das minhas primeiras bonecas foi a Mônica (que tenho até hoje), então a figura dele está desde sempre ligada às minhas lembranças.

Cheguei por volta das 10hs e conseguiu pegar a 1ª senha no estande da Editora On Line. O difícil foi segurar a ansiedade até às 14 hrs. Aí chega o momento, e o que faço? Caio no choro, sim criançada, a pessoa que vos fala chorou copiosamente, e tremeu, e chorou, e foi pras nuvens. Impossível descrever em palavras o que senti.

Maurício de Sousa
Depois do êxtase, fui visitar os outros estandes. Confesso que não entrei em muitos, mas apreciei todos de fora. Um que eu não conhecia e me chamou muito a atenção pela beleza, foi o da Peirópolis, até o catálogo é lindo.

Foto retirada do site Literatura de Cabeça
Catálogo de livros

Walter Tierno, Georgette Silen e Roberta Spindler foram as minhas vítimas no estande da Giz Editorial. Já me sinto em casa por lá.

Roberta Spindler, Walter Tierno e Georgette Silen

Depois foi a vez de finalmente conhecer o senhor Felipe Castilho, excelente escritor e simpaticíssimo.

Felipe Castilho

E não podia deixar de reencontrar André Vianco, desde 2.002 o acompanho e cada dia me torno mais fã.

André Vianco
30 - sábado: uau, fila, fila, fila e mais fila, muita fila, horas de fila. Chegando, fui na Panini retirar as senhas pros autógrafos do pessoal da MSP, e saí direto pra sessão de autógrafos do Eduardo Spohr, e mais 1 vez, primeirona. Apesar de ser extremamente corrido o contato, ele foi simpático e atencioso. Só pra não perder o costume, passei mais uma vez no estande da Giz Editorial,  dessa vez pra conhecer a Veridiana Maenaka e a Eliana Portella, sem esquecer de rever a querida Giulia Moon.

Eduardo Spohr

Giulia Moon, Veridiana Maenaka e Eliana Portella

Aí mal sabia eu, viriam 6 hrs de fila pela frente. Primeiro, pra mais uma vez encontrar com o autor de Valente, o Vitor Cafaggi. Valente é lindo e ele é um "fofo". Foi sair de uma fila e entrar na outra pra conhecer todos os autores das graphic novels da MSP: Danilo Beyruth, Gustavo Duarte, Vitor e Lu Cafaggi, Shiko, Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho, sem esquecer do não menos importante Sidney Gusman. Foi épico, oportunidade ímpar.

Danilo Beyruth, Gustavo Duarte, Vitor Cafaggi, Lu Cafaggi, Eduardo Damasceno, Luís Felipe Garrocho, Shiko e Sidney Gusman

Depois teve o encontro de blogueiros da Novo Conceito com os escritores Maurício Gomyde, Tammy Luciano, Lu Piras, Tammy Luciano, Cristine M., Graciela Mayrinck e Felipe Colbert.

Maurício Gomyde, Tammy Luciano, Lu Piras, Tammy Luciano, Cristine M., Graciela Mayrinck e Felipe Colbert

Mais uma volta rapidinha pra ver se ainda dava tempo pra algo mais, mas infelizmente tinha uma estrada me esperando.

Em resumo:

Preços - livros: alguns estavam com valores mais altos que os praticados em lojas físicas, mas também era possível encontrar várias promoções, tinha que garimpar. Comida: essa não tinha jeito, tava muito cara, nada que a matula feita na casa da mamãe não resolvesse. Guarda-volumes: R$ 15,00, eu achei caro, e preferi arrastar minha malinha pra lá e pra cá;
Localização - a Bienal disponibilizou ônibus gratuitos que saiam dos metrôs Tietê e Barra Funda, a fila era bem grande, mas a espera durou cerca de meia hora;
Estrutura - o Anhembi é grande, mas em vários momentos, pra não dizer que na maioria deles foi quase impossível transitar pelos corredores. O sinal de telefonia é impraticável, 3G capenga. Era cena corriqueira vez vendedores segurando maquinhas de cartão com os braços pro alto implorando por sinal. Poucos banheiros e bebedouros. Outra coisa que não gostei foram os carpetes, em vários momentos encontrei entre as emendas, pontas soltas, o q poderia causar algum tipo de incidente;
Informações - logo na entrada tinha um folheto com a programação do dia e o mapa da feira, super prático e acessível.


Vi pessoas enlouquecidas por escritores internacionais, mas também filas imensas pros escritores nacionais. Milhares, talvez milhões de leitores se espremendo em corredores estreitos, aí fica a pergunta: todos os leitores do Brasil estavam na Bienal, ou somos muito mais do que as pesquisas dizem?