29 setembro, 2016

O Coração Denunciador (The Tell-Tale Heart) por Edgar Allan Poe


O Coração Denunciador (The Tell-Tale Heart) por Edgar Allan Poe

Esse é mais uma daquelas obras-primas do mestre do terror. Sem sombra de dúvida, nesse conto Poe consegue nos envolver na primeira a última palavra.

Aqui nós temos um narrador que se diz doente e extremamente nervoso, mas com uma audição perfeita e nenhum rastro de loucura. Ele mora com um senhor, já velhinho do qual diz amar muito, e apesar de nunca ter feito mal a ele tomou bronca do pobre coitado. Talvez seja pelo olho de abutre que tem, por conta de uma catarata, o olho cor azul-pálido lembra o olhar do animal.

Independente do motivo o narrador decidiu que mataria o velho e pronto. E durante uma semana inteira, ele foi o ser mais bondoso com o velho, mal sabia o pobre senhor que isso era o prenúncio de sua morte.

Imagem - Reprodução/Crypticcorridor

Durante esse tempo, ele espreitava o velho sempre à meia-noite. Por uma fresta via aquele olho, até que certa noite um raio de luz passou pela fenda e caiu direto no olho do "abutre". O terror do velho aumenta o seu batimento e o som do coração é audível. o velho morre. E a partir daí, só lendo.

Esse talvez seja um dos meus contos preferidos do autor. Não temos aqui uma história de terror propriamente dita, mas um suspense de tirar o fôlego em pouco mais de quatro páginas. 

O autor consegue de maneira magistral nos enredar na história, que em certo momento achei que também ouvia os batimentos cardíacos do pobre velho. O desenrolar do conto nos leva a um final no mínimo perfeito e surpreendente. 

Esse é mais um daqueles contos próprios pra quem tem receio de ler as obras do autor. Não é pra assustar, mas também não nos deixa indiferentes à leitura. E em poucas páginas é possível perceber o poder de narração do autor.

Esse post faz parte do Desafio 12 Meses de Poe criado pela Anna Costa.

20 setembro, 2016

Segunda Guerra Mundial - Memórias e Fragmentos - Vários Autores


Segunda Guerra Mundial - Memórias e Fragmentos
Coordenação Rô Mierling
Editora Illuminare - 115 pgs

"Aqueles que não podem lembrar o passado estão condenados a repeti-los"
                                                                                         George Santayana

Eu sou uma apaixonada por História, sim com H maiúsculo. Desde sempre fui muito curiosa com fatos e acontecimentos históricos, e como eles moldam toda uma sociedade. 

E talvez um dos momentos que mais me cause interesse seja a Segunda Guerra Mundial. O porquê disso, eu não sei explicar. Mas sempre que posso leio algo a respeito ou assisto a algum documentário. Porém, não consigo fazer em qualquer momento isso. Toda essa história, por algum motivo, mexe demais comigo. Então, sempre que possível escolho um momento onde eu esteja bem pra fazê-l, isso minimiza o sentimento de tristeza ou qualquer outro que venha a ter.

Aí, sou surpreendida com a chegada do livro citado. E não posso escolher o melhor momento, eu tenho que lê-lo. 

Respiro fundo e me entrego à leitura.


A obra é composta por 15 contos, onde o autor poderia desenvolver uma história em qualquer gênero literário, dentro do tema Segunda Guerra Mundial. 

Eu não conhecia nenhum dos escritores selecionados, então não tinha ideia do que esperar ao iniciar a leitura. Mas, fui surpreendida positivamente a cada página lida.

Os contos são realmente bem variados no quesito gênero, mas uma coisa todos tem em comum: são de ótima qualidade. É difícil escolher um preferido, acho que nem tenho. Mas alguns chamaram mais minha atenção. Então, vamos a eles.

Trincheira - é o conto que abre a antologia. Nele temos um senhor, que durante um cochilo volta a viver os momentos angustiantes de um dos ataques durante a guerra. Quando acorda, percebe que a guerra nunca acabou, só mudou o molde.

Para Voar e Ser Invisível por Clarisse Souza - conta o momento em que um fantasma se vê refletido nos olhos de Noah, um garoto judeu que tem "O corpo errado". Esse fantasma acompanha o garoto até o momento onde deixa o vento levá-lo.

Um Assombro para o Führer por José Martins Filho - como todo bom trabalhador, o Führer também precisa de um descanso. E em um desses momentos de relaxamento, eis que começam a surgir sons estranhos, e só podem ser fantasmas. Mas, qual não é a surpresa ao descobrir qual o real motivo desses sons.

Contracapa
Isso é só uma mostra do que esse livro trás. Eu recomendo pra todos os públicos, independente do gênero literário que goste. 

A edição do livro é de excelente qualidade, e no final da obra temos uma pequena biografia dos autores e da organizadora, Rô Mierling. 


11 setembro, 2016

24ª Bienal do Livro de São Paulo

Os anos pares são os melhores, afinal é neles que acontece a Bienal do Livro de São Paulo. 


E esse ano foi mais especial ainda, pois pela primeira vez pude cobrir o evento como blogueira, o que me deixou imensamente feliz e agradecida. 

Consegui ir ao evento nos dias 26, 27 e 28 de Agosto e 02 de Setembro. Foram quatro dias mágicos.

26 de Agosto

Saí cedinho de Jundiaí e me encontrei com minha irmã Tatiana (que foi minha companheira e ajudante do dia, obrigada cabeção), no metrô Tietê. Lá embarcamos no ônibus gratuito, que foi disponibilizado durante todos os dias do evento. 

A cabeçuda da minha irmã Tatiana e eu... Muito amor envolvido.

Com a agenda do 1º dia e credencial em mãos, fomos ao trabalho.

No primeiro momento eu queria apenas ver os estandes, e a evento como um todo. Fiz um vídeo pra mostrar um pouquinho disso pra vocês.


Depois foi a vez de novamente encontrar uma das pessoas que mais admiro: Maurício de Sousa. Sabe-se lá porque, eu decidi levar minha Mônica pra Bienal. E pra minha surpresa e alegria, e claro a insistência da irmã preferida (e única que tenho), me chamaram pro reservado onde o Maurício estava. 


Faltam palavras pra descrever esse momento. Só consigo dizer que mais uma vez zerei a vida, e minha Mônica agora é mais preciosa ainda <3.

Foto - Reprodução/G1


Depois foi só diversão.


E esse painel, era uma das coisas mais bacanas que tinha por lá.



E tinha um estande lindo com uma exposição do Pequeno Príncipe.



Heróis e mais heróis.


E quem não ama?


27 e 28 de Agosto

Bom, agora era hora de ir encontrar alguns autores e garantir meus autógrafos. Teve André Vianco, Walter Tierno, Leon Idris e Ana Beatriz Brandão.



02 de Setembro

Mais uma vez volto pra encontrar pessoas queridas, conhecer outras e me despedir. Nanuka Andrade que é mais que um escritor amado pra mim, e Vanessa Bosso. 


E conversei um pouquinho com a Nuccia de Cicco também. Logo mais terá vídeo/entrevista e sorteio.


Pra resumir tudo.

Mais uma vez foi uma experiência fantástica. Esse ano os corredores estava bem mais largos, o que facilitou e muito o acesso e deslocamento dentro do evento. Em vários momentos vi policiais militares e guardas civis no local, o que garantia um pouco mais de segurança ao público. Existiam vários totens do Spotify, onde além de ouvir um pouco de música e descansar o esqueleto, também era possível carregar as baterias dos equipamentos eletrônicos. 

Existiam filas nos banheiros e no bebedouros, mas isso é praticamente lei em grandes eventos. E os preços dos alimentos como sempre caros, mas nada que uma boa marmitinha não tenha resolvido. 


O difícil disso tudo é esperar até 2018.

05 setembro, 2016

Ondas Poéticas organizado por Fernanda Mothé Pipas e João Cabral Teixeira


Ondas Poéticas - Organizadores Fernanda Mothé Pipas & João Cabral Teixeira 
Darda Editorial - 189 pgs

Neste mar de inspirações, navegam poetas e poetisas, nossas Ondas Poéticas, que nos tocam com a sua sensibilidade e vida. Este livro é um hino livre, oriundo de cantos marítimos, que nos chegam encantando, declarada e imensamente, o nosso coração...

Eu sou uma verdadeira apaixonada por poesias. Desde muito nova, vira e mexe leio um livro do gênero. Independente do estilo utilizado, eu gosto. Desde Drummond até os undergrounds. Parou na minha mão eu leio. Outra coisa que eu gosto muito é o fato da não obrigatoriedade de sequência. Deu vontade você abre uma página e lê, deixa de lado, volta a ler mais tarde. Lê mais de uma vez, pula outras e assim segue. 

Uma das coisas que me atrai na poesia, é que de alguma forma ela consegue tocar na alma. Não estou falando de poemas românticos não, estou falando de qualquer poema. Eles tem um poder que é capaz de em poucas linhas escarafunchar o fundo do nosso ser. 

E com esse livro não foi diferente.

São 46 autores, de diversos locais do país, idades e profissões varidas mas com um objetivo em comum: expressar em palavras sentimentos.

Por inúmeras vezes me senti tocada pelas palavras nessa obra. Não é possível falar desse ou daquele autor em especial, porque cada um tem seu estilo próprio, mas uma coisa é certa, o livro é um conjunto perfeito de estilos variados.

Eu recebi a obra da autora Nina Spim, que nos agracia com 3 poemas seus. Todos, cada qual ao seu modo me encantaram. 

(In)Finitude

Finitos e infinitos
são as nossas caixas
de solidões que ficaram
para trás,
sem nome, 
sem data.
Nunca serão nada.
                                     pg 151

Um diferencial que me chamou bastante a atenção, foi o livro trazer um mini histórico do autor antes dos poemas do mesmo. É um referencial e tanto pra conhecer um pouco mais deles, e procurar por outras obras.


A diagramação é boa, margens e fontes de bom tamanho, e apesar de ter folhas brancas, isso não incomoda em nada.

Mais que recomendado pros amantes da boa poesia, e um ótimo caminho de entrada pra quem não te o costume de ler.